Em 1939 o Brasil proibiu falar italiano em público. Um ano ou dois depois, numa casa de chão batido no norte gaúcho, uma menina de seis anos aprendeu italiano com a avó que veio passar uns tempos. A avó ficou nove meses. Foi o suficiente.
A lei
No dia 25 de agosto de 1939, o governo brasileiro publicou o Decreto-Lei n.º 1.545. O nome oficial era “adaptação ao meio nacional dos brasileiros descendentes de estrangeiros” um título de quem não quer dizer o que está a fazer.
O que ele fazia era isto: proibia o uso público de idiomas estrangeiros, inclusive nas missas. Os jornais em italiano foram censurados e depois fechados. As escolas passaram a ser obrigatoriamente em português. E a fiscalização das chamadas '“zonas de colonização estrangeira” ou seja, das colónias de imigrantes ficou a cargo do Exército.
Não foi um aviso. Foi uma operação.
Até os nomes dos lugares mudaram. A vila onde estava enterrado o Guerino De Toni chamava-se Nova Pompéia. Em 1939, por outro decreto, passou a chamar-se Pinto Bandeira. O morto ficou onde estava, mas o endereço dele mudou.
Para quem tem dificuldade em imaginar o tamanho disto: pense em ser proibido, de um dia para o outro, de falar a sua língua no mercado, no trabalho, na igreja e de ler o jornal que lia. Não por um mês. Por anos. E com farda a passar na estrada para conferir.