Guerino De Toni chegou em 1897 a uma localidade chamada Silva Pinto. Morreu em 1932 num lugar chamado Nova Pompéia. Hoje está enterrado em Pinto Bandeira. Não se mudou nenhuma vez nesses trinta e cinco anos. O lugar é que trocou de nome, duas vezes.
O nome do engenheiro
Antes de ter qualquer um desses nomes, o lugar era conhecido como Cruzinha, por causa de uma cruz rústica fincada sobre a sepultura de um tropeiro, a marca de quem passava por ali antes de os imigrantes chegarem.
Quando o governo imperial dividiu a serra gaúcha em léguas, travessões e linhas para vender aos colonos, quem traçou as linhas e os lotes daquela região foi um engenheiro ajudante, o bacharel Antônio Innocêncio da Silva Pinto. O nome dele ficou na terra: Linha Silva Pinto.
Foi numa dessas linhas retas, desenhadas em gabinete e que subiam e desciam morro sem respeitar o relevo, que as famílias italianas compraram os seus lotes. Um deles, o número 12 da Linha Silva Pinto, foi concedido em 8 de junho de 1878 a Sebastiano Maria, de Montebelluna. Vinte e um anos depois, a filha dele, Teresa, se casaria com o filho mais velho de Guerino.
O quadro que veio da Itália
Em 1897, o mesmo ano em que Guerino, a mulher e os filhos desceram de Minas Gerais, chegou a Silva Pinto, trazido da Itália, um quadro de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia.
Não há ligação entre as duas chegadas, a não ser o ano. Mas elas dizem o que era aquele lugar naquele momento: uma comunidade que ainda estava decidindo o que seria, e que recebia gente e devoções pelo mesmo caminho. Alguém trazia, os vizinhos aderiam, a coisa pegava ou não pegava.