Em 14 de agosto de 1965, em Jacutinga, no norte do Rio Grande do Sul, Albino De Toni e Elide Maria Menin oficializaram o casamento civil.
Ele tinha 35 anos, ela 30. E tinham quatro filhos, Nilse, Neri, Neide e Noili, todos nascidos no Rio Grande do Sul. A mais velha tinha nove anos.
O papel chega depois da vida
A ordem inversa não era exceção; era o padrão naquelas colônias, e o livro documenta o mesmo padrão nas gerações anteriores.
Há uma explicação histórica para isso. Durante boa parte do tempo, quem lavrava nascimentos, casamentos e óbitos era o pároco. O registro civil brasileiro é de 1888 e começou a funcionar em 1889; o casamento civil só se tornou o único com efeito legal a partir de 1890. Nas colônias, onde a capela era o centro da vida e a repartição ficava longe, passou a haver dois sistemas funcionando ao mesmo tempo e, muitas vezes, duas datas para o mesmo casamento.
Numa comunidade pequena, ninguém precisava de certidão para saber quem era casado com quem.
O casamento civil de Albino e Elide é de agosto de 1965. A filha mais velha tinha nove anos. O documento não veio quando a família se formou: veio quando a família precisou dele.
E precisou porque ia partir
Um mês depois da assinatura, por volta de setembro de 1965, carregaram a mudança num caminhão e saíram de Jacutinga rumo a Santa Catarina.