Não existe retrato de nenhum De Toni do século XVI. Existe outra coisa: a lista de tudo o que havia dentro da casa de um deles, feita em 17 de agosto de 1590, objeto por objeto.
Por que alguém fez a lista
Hieronimo delli Thoni tinha morrido. Do segundo casamento deixava três filhos ainda menores: Gio:Dominico, Marco e Catarina. A tutela ficou com o meio-irmão deles, Bernardino, filho do primeiro casamento. Para que a herança dos órfãos não se confundisse com os bens de mais ninguém, fez-se o inventário.
É por isso que a lista é tão minuciosa. Ela não foi feita para descrever uma casa. Foi feita para que nada sumisse.
A maior parte dos objetos serve para transformar: uma prensa velha, sem a mesa; uma arca de farinha e outra de grão; um vaso para o óleo; um filtro de vinho; um pilão; uma tina; barriletes para vinho; uma mó de afiar.
Perto do fogo havia uma caldeira para a soda e um caldeirão de lixívia, para o que servia de lavar. Havia baldes e panelas de cobre e a corrente de onde o caldeirão pendia sobre a lareira.
Uma mesa pequena
Para comer, a casa tinha uma tigela de peltre, quatro tigelas velhas, dois bocais, seis colheres, um saleiro, três cestos de pão e algumas facas. Seis colheres para uma família com filhos de dois casamentos.