Entre o fim do século XVII e 1840, a família passa de Marano para Molina di Malo e depois para Sandrigo, casa de preferência no inverno, dá ao filho seguinte o nome do que morria e atravessa a queda de Veneza.
Entre o fim do século XVII e 1840, o que se conhece da família vem sobretudo dos livros das paróquias: batismos, casamentos e óbitos. São registros curtos. Lidos em sequência, mostram uma família em movimento.
Órfão aos treze meses
Dominico, o caçula de Orso, nasceu em maio de 1677. Treze meses depois perdeu o pai; em seguida, o avô e a avó. A tutela coube ao irmão Michele, dezenove anos mais velho, que se casava e formava a própria família na mesma casa. Dominico cresceu, casou com uma Giulia de quem só se conhece o nome, e foi o último homem da linha direta a nascer em Marano Vicentino.
Casar no inverno
A Igreja não celebrava casamentos com festa na Quaresma nem no Advento, e o verão era do trabalho no campo. Por isso boa parte dos casamentos da família caía em janeiro e fevereiro, entre o fim das festas de Natal e o começo da Quaresma. Michele De Toni casou com Angelica Maculana em 5 de fevereiro de 1739. Um século depois, Pietro Antonio casou em 20 de fevereiro de 1840.
O nome que passava adiante
Quando uma criança morria, a seguinte recebia muitas vezes o nome dela. Aconteceu mais de uma vez na casa de Orso e continuou depois: um Michele morreu em 1715 e o irmão nascido em 1716 se chamou Michele; um Biagio nasceu em 1739 e morreu pequeno, e outro Biagio nasceu em 1749.
Entre a planície e a montanha
A memória do ramo brasileiro, recolhida a partir de 1976 e conferida em viagens à Itália em 1979 e 1986, guarda uma rotina que nenhum documento notarial registra. No verão, a família trabalhava a planície: grão, vinha, amoreiras. No inverno, subia o vale com os animais para o pasto e o queijo, que vendia no verão seguinte. A malga ficava nos antigos limites entre a Itália e a Áustria. A tradição teria durado até 1945. Um detalhe não fecha: a malga é pasto de verão, e no inverno a montanha fica coberta de neve.
Em 1797, a República de Veneza deixou de existir. Em menos de vinte anos, o Vêneto foi da Áustria, depois do reino que Napoleão criou na Itália, e de novo da Áustria, que o governou até 1866. Com Veneza acabaram também a vicinia, o Degan e o velho cadastro de impostos. Michele De Toni, nascido em Molina di Malo em 1782, tinha quinze anos quando a República caiu.
De Molina a Sandrigo
Cecilia, em 1810, e Antonio, em 1811, filhos de Michele, nasceram ainda em Molina di Malo. Pietro Antonio nasceu em 1814. Em 1834 a família já aparece em Sandrigo, a poucos quilômetros dali. Nenhum papel conhecido registra a mudança. Em fevereiro de 1840, Pietro Antonio foi casar em Breganze, a paróquia da noiva.
1677Nasce Dominico, o caçula de Orso
1678Morre Orso De Toni
1739Michele De Toni casa com Angelica Maculana
1755Nasce Giuseppe, filho de Michele e Cecilia da Meda
1782Nasce Michele em Molina di Malo
1797Fim da República de Veneza
1814Nasce Pietro Antonio De Toni
1815O Vêneto passa ao Reino Lombardo-Vêneto
1834A família já aparece em Sandrigo
1840Pietro Antonio casa em Breganze
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Tudo o que esta sala guarda
Cada pessoa, fotografia, documento, lugar e acontecimento leva a outras partes da história da família.