Nos anos 1960, os dez filhos de Sebastião deixaram o Rio Grande do Sul. Sete foram para Serra Alta, no oeste catarinense, dois para Francisco Beltrão, no Paraná, e um para Videira.
A partir de 1960, os dez filhos de Sebastião e Dosolina deixaram o Rio Grande do Sul, uns sozinhos, outros em grupo. Foram para onde ainda havia terra: o oeste de Santa Catarina e o sudoeste do Paraná, as últimas áreas de colonização do Sul.
Uma terra aberta pelas companhias
Depois da Guerra do Contestado e do acordo de limites entre Paraná e Santa Catarina, o oeste catarinense foi entregue a companhias colonizadoras. Primeiro saía a madeira: araucária, imbuia, erva-mate. Depois vinham as picadas e os lotes, desenhados a partir dos rios, para que cada família tivesse água. A propaganda era feita nas colônias velhas do Rio Grande do Sul. Kaingang, Guarani e caboclos já viviam ali muito antes.
O sudoeste do Paraná
Em 1943, o governo federal criou uma colônia agrícola na vila de Marrecas, hoje Francisco Beltrão. Em 1957, a disputa pela terra acabou numa revolta: milhares de colonos armados tomaram as cidades da região para defender os lotes que ocupavam. Três anos depois, em 1960, Sebastião e Dosolina chegaram à Linha Gaúcha, no interior de Francisco Beltrão, com a filha Teresinha. Morreram ali.
Serra Alta
Serra Alta foi aberta por poucos pioneiros, com burros de carga e caminhos feitos a facão, foice e machado. O primeiro comércio é de 1954. Em 1955, nove famílias formaram a comunidade católica de São José e inauguraram um prédio que era escola e igreja ao mesmo tempo.
Em setembro de 1965, Albino e Elide chegaram com os filhos, depois de atravessar o rio Uruguai de balsa, com o caminhão da mudança em cima. Moraram oito meses na casa de um amigo. Albino lascou à mão, com cunha e maço, as tábuas de araucária da casa nova, e a vizinhança da Linha São Luís ajudou a levantá-la. A história O casamento que veio nove anos depois dos filhos conta a mudança.
A vida na Linha São Luís
Na roça todos trabalhavam. O milho era para os animais; o porco valia como dinheiro. Elide cuidava sobretudo dos parreirais, e a casa fazia o próprio vinho. A escola tinha uma sala só para as quatro séries. O Natal era simples, sem luzes, e o que impressionava as crianças era a igreja enfeitada. No fim do ano, elas pintavam com cal os troncos das árvores, para proteger e enfeitar para as festas.
Dez caminhos
Linha São Luís, Serra Alta: Severino Francisco e Anna Maria; Domingo e Ida; Albino e Elide; Angelino e Matilde.
Linha Ipiranga, Serra Alta: Isidoro e Nair Rosa Brollo; Armindo e Angelina Domenica; Laurindo e Gema.
Francisco Beltrão: Fiorindo e Amélia Nava; Teresinha e Nelson Nava.
Videira: Zulmiro e Geni.
Nenhum deles se mudou sozinho. Os irmãos se chamaram uns aos outros, e com eles vieram as famílias dos cônjuges.
1912Começa a Guerra do Contestado
1917Criado o município de Chapecó
1943Criada a colônia agrícola em Francisco Beltrão
1954Primeiro comércio em Serra Alta
1955Nove famílias fundam a comunidade de São José
1957Revolta dos posseiros no sudoeste do Paraná
1960Sebastião e Dosolina chegam à Linha Gaúcha
1965Albino e Elide chegam a Serra Alta
1991Centenário da família no Brasil, em Erechim
2023Morre a nona Elide
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Tudo o que esta sala guarda
Cada pessoa, fotografia, documento, lugar e acontecimento leva a outras partes da história da família.
Casamento civil de Albino Detoni e Elide Maria Menin
14 de agosto de 1965 · O casamento é oficializado em Jacutinga quando a filha mais velha do casal já tinha nove anos, às vésperas da mudança para Santa Catarina.