Francesco Giovanni De Toni tinha oito filhos e um lote. Vinte e cinco hectares divididos por oito dariam pouco mais de três para cada um. Entre 1910 e 1915, ele fez o que muitos colonos da serra estavam fazendo: foi para o norte, onde a fronteira agrícola ainda estava aberta.
O norte do estado
O Alto Uruguai foi a última grande área de colonização do Rio Grande do Sul. As terras eram vendidas por companhias particulares, e quem comprava eram, em grande parte, os filhos das colônias velhas da serra. A família foi primeiro para Sananduva e, em 1925, para São João da Urtiga, junto com os irmãos de Teresa Maria. Antes deles, ali viviam os Kaingang, em toldos que o governo demarcou entre 1911 e 1918.
Um casamento em Paim Filho
Em 25 de abril de 1925, em Paim Filho, Sebastião, o segundo filho de Francesco Giovanni, casou com Dosolina Guindani, de vinte e um anos, filha de um lombardo de Cremona e de uma vêneta de Treviso. Tiveram dez filhos. Criaram-nos em Jacutinga, perto de Erechim.
Uma casa em Jacutinga
A casa ficava, como lembra Zulmiro, "para a frente do cemitério". Os vizinhos eram os Belluzo, os Rollon e os Ogliari, donos do moinho, onde o moleiro cobrava a moagem em grão. Zulmiro começou na roça aos oito anos. Os meninos ficavam com a lavoura pesada, as meninas mais com a casa, mas todos faziam de tudo.
era vida boa, bem tranquila, era tudo uma união sóZulmiro De Toni, filho de Sebastião, em depoimento gravado para a pesquisa
A escola ia até a quarta série e era paga pela comunidade. Ler e escrever bastava; depois, o trabalho. Aos domingos havia missa, e Sebastião era ativo na comunidade. Ele gostava de sair para jogar baralho e bocha. Dosolina quase não saía de casa.
Polenta e chimarrão
Na mesma mesa havia polenta, feita com o milho da família, e chimarrão, costume guarani que os gaúchos adotaram. A sobra da polenta ia para a chapa do fogão a lenha no dia seguinte. As meninas faziam bonecas de espiga de milho; os meninos jogavam bola no potreiro e bolita. A história Polenta e chimarrão conta essa infância.
A língua proibida
Em agosto de 1939, um decreto proibiu o uso de línguas estrangeiras em público, até nas cerimônias religiosas. Severino, o mais velho dos filhos de Sebastião, tinha treze anos. Em casa, continuaram falando italiano, e o português, dizem eles, era muito fraco. A história Nove meses conta como a língua sobreviveu na família.
Terra dobrada
Nos anos 1950, a terra de Jacutinga estava cansada de tanto plantar e dividida entre muitos herdeiros. Quase não havia mais mato para abrir. Em 1960, Sebastião e Dosolina partiram para o sudoeste do Paraná com a filha Teresinha. Nos anos seguintes, todos os outros filhos também deixaram o Rio Grande do Sul.
já era terra dobrada, quase não tinha mais nem matoZulmiro De Toni, sobre a razão de partirem
- 1910–1915A família de Francesco Giovanni chega a Sananduva
- 1925Sebastião casa com Dosolina em Paim Filho
- 1925A família vai para São João da Urtiga
- 1939O italiano é proibido em público
- 1941Morre Teresa Maria
- 1949Morre Francesco Giovanni
- 1960Sebastião e Dosolina vão para a Linha Gaúcha
- 1962Morre Luigi De Toni, irmão de Sebastião
- 1965Albino e Elide deixam Jacutinga