A família de Guerino foi a única parte dos De Toni a passar por Minas Gerais: nove anos em fazendas de café da Zona da Mata, entre a abolição da escravidão e a descida para o sul.
Em outubro de 1888, cinco meses depois da Lei Áurea, Guerino De Toni desembarcou no Rio de Janeiro com a mulher e cinco filhos. Não foram para a serra gaúcha, onde o irmão Michele já vivia havia cinco anos. Foram para Minas Gerais, contratados para o café.
A hospedaria
Os imigrantes destinados a Minas seguiam do porto do Rio direto para o trem e desciam em Juiz de Fora, onde a província acabara de abrir uma hospedaria. Entre 1888 e 1901, cerca de sessenta e oito mil italianos passaram por ela. Os fazendeiros da Zona da Mata iam até lá escolher trabalhadores. De Juiz de Fora, a família seguiu para o município de Cataguases, no vale do rio Pomba.
O ano do café
A colheita ia de maio a setembro. O café era derriçado, secava no terreiro, ia para a tulha e passava pelos engenhos da fazenda antes de descer em carro de boi até a estação. Entre outubro e abril, com as chuvas, o trabalho era capinar o cafezal, quatro ou cinco vezes.
Em Minas, o colono trabalhava na meação: ficava com metade da colheita, descontados o beneficiamento, o transporte, as comissões e os impostos, e recebia uma vez por ano. Até lá, comprava a crédito no armazém da fazenda.
Os Bazzotti
Em outubro de 1895 chegou a Cataguases outra família do Vêneto: Giovanni Bazzotti e Carolina Righini, de Colognola ai Colli, com oito filhos. Em 16 de agosto de 1896, na igreja de Santana de Cataguases, a filha mais velha, Maria, casou com Pietro, filho de Guerino. Foi o primeiro casamento da família no Brasil. Seis anos depois, já no Rio Grande do Sul, a irmã dela, Regina, casou com Antonio, outro filho de Guerino.
Em 1894 nasceu o último filho de Guerino e Elisabetta. Chamaram-no Fortunato Américo. Nenhum dos irmãos nascidos na Itália recebeu um nome parecido. É o único vestígio daqueles anos que parece dizer algo sobre o que a família sentia.
A descida
Entre 1896 e 1897, a família desceu para o sul. Primeiro foram os filhos. Antonio, com dezenove anos, desceu "com padres", como lembra a família; naquele mesmo ano de 1896, os capuchinhos de Saboia tinham chegado à serra. Guerino e Elisabetta foram os últimos. Em junho de 1897 nascia em Pinto Bandeira a primeira neta, Elisabetta. Giovanni Bazzotti e Carolina Righini nunca desceram: morreram em Miraí, em Minas, nos anos 1930.
1888Lei Áurea; a família de Guerino chega a Minas Gerais
1889Nasce Maria, primeira filha de Guerino no Brasil
1894Nasce Fortunato Américo
1895A família Bazzotti chega a Cataguases
1896Pietro De Toni casa com Maria Bazzotti
1897A família desce para a serra gaúcha
1902A Itália proíbe a emigração subsidiada para o Brasil
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